Este é o texto 13 da série: Viver Como Jesus

Nós frequentamos a EBD (Escola Bíblica Dominical) da Igreja Batista. Estamos estudando o livro de Jó.
Neste domingo, lemos sobre a fala dos amigos de Jó diante do sofrimento em que ele estava passando. São discursos baseados em suas opiniões sobre a vida, que com a leitura do livro completo, percebemos que não condizem com a verdade.
Da mesma forma somos todos nós seres humanos, temos uma visão limitada do todo e, por isso, não cabe a nós o julgamento, nem a sentença da dor alheia.
Ao fim da aula, a professora Perla Galdeano fez um paralelo com o assunto do dia e trouxe uma aplicação para a polarização política que estamos vivenciando e como ela tem quebrado relacionamentos.
Ela decidiu aprodundar o assunto escrevendo algumas considerações, a partir de uma conversa com o marido André, e compartilhou no grupo da turma.
Com a autorização dela, disponibilizamos esse conhecimento valioso com vocês.
Olá, pessoal! 😊
Queria compartilhar com vocês algumas reflexões que surgiram de uma conversa com André sobre esse momento de polarização política que, de alguma forma, acaba afetando nossas famílias, amizades e até a convivência na nossa comunidade.
Durante a conversa, André lembrou duas passagens bíblicas muito oportunas: Romanos 14:4 e Colossenses 3:13. A partir delas, fiquei pensando sobre como nós, cristãos, devemos lidar com nossas diferenças, sem perder de vista aquilo que nos une em Cristo.
Em tempos de polarização, a cultura ao nosso redor nos empurra para o julgamento, o cancelamento e a divisão por motivos políticos. Mas o Evangelho nos chama para o caminho oposto.
Em Romanos 14 e Colossenses 3:13, a Bíblia nos lembra de que nenhuma preferência ou opinião humana deve ter mais valor do que a vida do nosso irmão.
Romanos 14:15: “Se por causa de comida o seu irmão fica triste, você já não está agindo por amor. Não destrua por causa da sua comida aquele por quem Cristo morreu.”
Paulo explica que as regras alimentares ou a liberdade de comer de tudo não são a essência da vida com Deus. O foco deve ser a união e a paz.
- “O Reino de Deus não é comida nem bebida…” (Romanos 14:17): O texto continua dizendo que o Reino é “justiça, paz e alegria no Espírito Santo”.
- Não destruir a obra de Deus: O apóstolo reforça que nenhuma comida vale o preço de dividir uma comunidade ou ferir a consciência de outra pessoa.
Em Colossenses 3:13, ele expande profundamente o conceito de amor fraternal através do perdão mútuo.
O texto completo diz: “Suportai-vos uns aos outros e perdoai-vos uns aos outros, se algum de vós tiver motivo de queixa contra outro. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também fazei vós.”
Esse trecho complementa perfeitamente o tema anterior (sobre comida e bebida), mostrando como a convivência comunitária exige paciência e entrega.
As divergências políticas e a comunhão cristã
Quando a Bíblia fala sobre “motivos de queixa” ou divergências sobre “comida e bebida”, ela está nos dando ferramentas práticas para lidar com o racha político que afeta famílias, amizades e igrejas hoje.
Na igreja primitiva, a grande discussão era sobre comida sacrificada a ídolos; hoje, a discussão é sobre partidos, candidatos e visões de mundo.
- O Reino não é esquerda nem direita: Assim como o Reino de Deus não é comida nem bebida (Rom. 14:17), ele também não é definido por espectros políticos. O Reino é justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
- Cuidado para não destruir o irmão: Se o debate político inflamado, postagens em redes sociais ou discussões em grupos de mensagens deixam o seu irmão triste ou escandalizado, você já não está agindo por amor (Rom. 14:15). Ganhar o argumento político e perder o irmão é uma derrota espiritual.
Aprender a conviver com as diferenças
A polarização cria uma mentalidade de “nós contra eles”, onde o outro é visto como um inimigo a ser destruído, e não como alguém a ser compreendido.
- Tolerar as divergências: “Suportar” na política significa aceitar que pessoas que compartilham da mesma fé ou comunidade podem enxergar soluções sociais, econômicas e governamentais de formas completamente diferentes.
- Ouvir antes de julgar: Em vez de rotular o outro imediatamente com termos pejorativos, o amor fraternal exige o esforço de ouvir e acolher, mantendo os relacionamentos acima das urnas.
O perdão como resposta à polarização
A política muitas vezes gera ofensas reais: agressões verbais, quebra de confiança, exclusão e julgamentos morais injustos baseados em opções de voto.
- A queixa existe, mas não deve reinar: Colossenses 3:13 reconhece que você pode ter plena razão em estar chateado ou ofendido com a postura política de alguém. Mas a resposta bíblica não é o cancelamento ou o afastamento; é o perdão.
- O padrão de Cristo contra a cultura do cancelamento: Enquanto a polarização exige que você rompa com quem pensa diferente, o evangelho exige que você perdoe assim como o Senhor nos perdoou. O perdão quebra a engrenagem do ódio político.
A unidade não exige uniformidade
A conciliação não exige que todos pensem igual ou que você abra mão dos seus valores e convicções de cidadania.
A conciliação exige que, apesar das diferenças, o amor seja o “vínculo” que mantém as pessoas unidas no mesmo espaço. É entender que a identidade de uma comunidade como corpo é infinitamente mais eterna e importante do que qualquer governo humano.
Chamados a ser pacificadores
Jesus foi categórico: “Bem-aventurados os pacificadores” (Mateus 5:9).
Ser um pacificador em um ambiente polarizado não significa abrir mão de suas convicções, mas decidir que o amor fraternal, o perdão e a unidade da nossa comunidade são infinitamente maiores do que qualquer divergência partidária.
Jesus não nos chamou para sermos militantes da divisão, mas embaixadores da reconciliação.
Ser um pacificador na igreja hoje não significa pensar exatamente igual sobre todas as coisas, mas decidir que o vínculo da paz e o amor fraternal são inegociáveis.
Quando o mundo do lado de fora prega o cancelamento, que o lado de dentro da nossa comunidade testemunhe a beleza do perdão, do abraço e da unidade que só o Espírito Santo pode gerar.
(por Perla Galdeano, em 21 de outubro de 2026)
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