Conectando ideias

A profissão Professor

A profissão professor é uma profissão nobre, digna, necessária, importante e fundamental para o desenvolvimento da sociedade e para a formação cidadã.

Investir em educação, na profissão professor, é ter a consciência de que está se “plantando”, mas, infelizmente, saber que os frutos da “colheita” nem sempre serão valorizados economicamente.

Porém, o fato de saber que, por meio dessa profissão, você tem a oportunidade de ajudar a melhorar o futuro de alguém, de poder preencher o tempo dos alunos com conteúdo útil para a atuação social é gratificante.

Quem não tem um professor por perto não faz ideia da rotina exaustiva dessa profissão. Depois do expediente na escola, o professor leva trabalho para casa, ele tem que planejar, elaborar e corrigir testes, provas e trabalhos, além de fazer cursos de atualização, ler e estudar.

Por isso, gostaria de deixar aqui registrado a minha admiração por esses profissionais diligentes e corajosos que, a despeito de toda conjectura, permanecem esperançosos e competentes no exercício de sua funções.

Pensando nisso, apresento logo abaixo o texto de Rubem Alves em que ele faz uma linda reflexão sobre essa profissão milenar. Um abraço esperançoso para você que é professor.

Sobre Jequitibás e Eucaliptos

“Educadores, onde estarão? Em que covas se terão escondido?

Professores, há  aos milhares. Mas o professor é profissão, não é algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contrário, não é profissão; é vocação. E toda vocação nasce de um grande amor, de uma grande esperança.

Profissões e vocações são como plantas. Vicejam e florescem em nichos ecológicos, naquele conjunto precário de situações que as tornam possíveis e – quem sabe? – necessárias. Destruído esse habitat, a vida vai-se encolhendo, murchando, fica triste, mirra, entra para o fundo da terra, até sumir.

E o educador? Que terá acontecido com ele? Existirá ainda o nicho ecológico que torna possível a sua existência? Resta-lhe algum espaço? Será que alguém lhe concede a palavra ou lhe dá ouvidos? Merecerá sobreviver? Tem alguma função social ou econômica a desempenhar?

Uma vez cortada a floresta virgem, tudo muda. É bem verdade que é possível plantar eucaliptos, essa raça sem vergonha que cresce depressa, para substituir as velhas árvores seculares que ninguém viu nascer nem plantou.

Para certos gostos, fica até mais bonito: todos enfileirados, em permanente posição de sentido, preparados para o corte. E para o lucro.

Acima de tudo, vão-se os mistérios, as sombras não penetradas e desconhecidas, os silêncios, os lugares ainda não visitados. O espaço racionaliza-se sob a exigência da organização. Os ventos não mais serão cavalgados por espíritos misteriosos, porque todos eles só falarão de cifras, financiamentos e negócios.

Que me entendam a analogia.Pode ser que educadores sejam confundidos com professores, da mesma forma como se pode dizer. jequitibá e eucalipto, não é tudo árvore, madeira? No final, não dá tudo no mesmo?

Não, não dá tudo no mesmo, porque cada árvore é a revelação de um habitat, cada uma delas tem cidadania num mundo específico. A primeira, no mundo do mistério, a segunda, no mundo da organização, das instituições, das finanças.

Há árvores que têm personalidade e os antigos acreditavam mesmo que possuíam uma alma. É aquela árvore, diferente de todas, que sentiu coisas que ninguém mais sentiu. Há outras que são absolutamente idênticas umas às outras, que podem ser substituídas com rapidez e sem problemas.

Eu diria que os educadores são como as velhas árvores. Possuem  uma face, um nome, uma “história” a ser contada. Habitam um mundo em que o que vale é a relação que os liga aos alunos, sendo que cada aluno é uma “entidade” sui generis, portador de um nome, também de uma “história”, sofrendo tristezas e alimentando esperanças.

Mas professores são habitantes de um mundo diferente, onde o “educador” pouco importa, pois o que interessa é um “crédito” cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, sendo que, para fins institucionais, nenhuma diferença faz aquele que a ministra.

Por isso, professores são entidades “descartáveis”, da mesma forma como há canetas descartáveis, coadores de café descartáveis, copinhos de plástico para café descartáveis.

De educadores para professores realizamos o mesmo salto que de pessoa para funções. (…)Não sei como preparar o educador. Talvez porque isso não seja nem necessário nem possível… É necessário acordá-lo. E aí aprenderemos que educadores não se extinguiram como tropeiros e caixeiros. Porque, talvez, nem tropeiros nem caixeiros tenham desaparecido, mas permaneçam como memórias de um passado que está mais próximo do nosso futuro que o ontem. Basta que os chamemos do seu sono, por um ato de amor e coragem.

E talvez,  acordados, repetirão o milagre da instauração de novos mundos.”

[ALVES, Rubem. Sobre Jequitibás e Eucaliptos. in: Conversas com Quem Gosta de Ensinar. 9 ed. Campinas, São Paulo: Papirus, 2006. p.13-37. ]

Curta a nossa página no FACEBOOK.

Nosso Instagram @bag.agemcultural

(por Patrícia Miranda Medeiros Sardinha, em 22/05/2019)